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Eli, o sacerdote conivente

sábado, 1 de agosto de 2015

Eli foi o 14º juiz civil em Israel e o primeiro sumo sacerdote em Siló, cerca de 16 quilômetros ao norte de Betel (I Samuel 1.9). Teria sido o primeiro sumo sacerdote dos descendentes de Itamar (Levítico 10.1, 2, 12; I Reis 2.27). Eli administrou numa época de muita carnalidade e formalismo, cujos filhos Hofni e Finéas que exerciam funções sacerdotais, não procediam de acordo com o propósito divino, além de terem a conivência do pai que não os repreendia, incorrendo em sentença sobre a sua casa (I Samuel 2.27-34). Eli tornou-se sacerdote aos 58 anos de idade e o fato de passar 40 anos na função de magistrado e sacerdote, vem justificar que exerceu referidas funções com sabedoria e autoridade, porém o seu final foi muito comprometedor. Pelos registros bíblicos, com o passar dos anos, Eli perdeu o vigor e a autoridade e se tornou conivente com o pecado.

Seu declínio espiritual teve início quando: 
a) Fez julgamento precipitado sobre Ana, achando que estivesse embriagada enquanto ela falava com Deus (I Samuel 1.14-17);

b) Honrava mais os filhos do que a Deus (I Samuel 2.29b);

c) Teve também sua visão enfraquecida, mesmo que tivesse a idade avançada, porém, vê-se que perdeu também a visão espiritual (I Samuel 3. 2; 4.15);

d) Deus não falava mais com ele e podemos observar esse detalhe quando Deus falou com o jovem Samuel e ele ficou curioso para saber o que Deus lhe havia dito (I Samuel 3.16-18);

e) Com a velhice acentuada e o peso exagerado, tinha perdido a agilidade e lhe faltava disposição para exercer a função (I Samuel 4.18);

f) Vivia acomodado, deitado e sentado (I Samuel 1.9; 3.2; 4.13, 18).


Quanto aos seus filhos, exerciam suas funções ao lado do pai. Não temiam a Deus e nem respeitavam os homens (I Samuel 2.15-17). Eram tidos como filhos de Belial e não conheciam o Senhor, isto é, não tinham comunhão com Deus (I Samuel 2. 12). Belial significa impiedade, perversidade e maldade (Provérbios 6.12; II Coríntios 6.15). Hofni e Finéas profanavam os sacrifícios, levando o povo a desprezar as ofertas do Senhor (I Samuel 2.13-16). Procediam contra a determinação divina quando apresentavam as oferendas, que deveriam primeiro apresentá-las a Deus e depois tomar parte delas (Levítico 3.3-5, 16). Mas os filhos de Eli tomavam primeiro para si e ainda sob ameaça (I Samuel 2.15, 16). Contaminavam-se com as prostitutas e se deitavam com as mulheres na porta da tenda (I Samuel 2.22b).

O principal pecado de Eli foi a conivência, pois ele sabia de tudo o que seus filhos praticavam e Deus o incluiu com os dois filhos como dando "coices contra o sacrifício e as ofertas de manjares" (I Samuel 2.29). Com esta conduta, é como diz o apóstolo Pedro: "O julgamento deve começar pela casa de Deus" ( I Pe 4.17), especialmente por aqueles que estão à frente da obra, e como não soube honrar o privilégio que Deus lhe concedeu, ao contrário, tirava proveito da posição, o Senhor pela Sua misericórdia ainda o advertiu dando-lhe tempo para arrependimento, o que não ocorreu e, como paciência se esgota, Deus declarou por sentença a sua sorte e sentença bem severa, conforme se lê em I Samuel 2.33, 34; 3.13; 4.18-22).

O pecado só não acarreta sentença como esta, mas produz conseqüências terríveis, por exemplo: tempos depois, Israel foi ferido violenta e vergonhosamente diante dos filisteus, que fugiram para as suas tendas e caíram de Israel trinta mil homens de pé (I Samuel 4.10). E daí para a frente, só má notícia porque satanás não deixa nada pela metade. Morreram os dois filhos de Eli e, além de perder a batalha, os filisteus tomaram a Arca do Concerto (I Samuel 4.17); quando Eli soube da notícia, caiu da cadeira para trás, quebrou o pescoço e ali mesmo morreu (I Samuel 4.18); estando sua nora, esposa de Finéas, grávida e próxima ao parto, ouvindo estas notícias, alí mesmo encurvou-se e deu à luz e, ao mesmo tempo, foi morrendo (I Samuel 4.19), mas ainda reuniu forças e deu ao recém-nascido o nome de Icabô ou "Foi-se a glória de Israel", referindo-se à Arca de Deus que foi levada presa, e ainda por causa da morte de seu sogro e de seu marido (I Samuel 4. 21, 22).

Concluindo, esta é uma grande lição que fica para os cristãos que têm filhos e desempenham cargos na igreja do Senhor. Tudo o que faz o cristão por conta própria, desprezando os cuidados divinos, gloriando-se em suas próprias presunções, o resultado será maligno (Tiago 4.13-16). Se o vigor espiritual estiver em declínio ou se o formalismo permite que se sirva a Deus mecanicamente, de tal maneira a se ter uma vida de conivência com as coisas que não agradam a Deus, só há dois caminhos: orar suplicando a misericórdia do Senhor para prosseguir alinhado com Deus na caminhada; ou renunciar para não se comprometer com negligência na Obra do Senhor. Nunca perseverar dominado pela vaidade e pelo orgulho porque não vai a lugar nenhum. É como diz Provérbios 16.1: "A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda". 

Preocupado com essa questão, o apóstolo Paulo aconselha antes de tudo consagração a Deus, humildade e fidelidade no uso dos dons e escreveu: "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Romanos 12.1).

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